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O que agosto pode
O que agosto pode

No verão, tendemos a reduzir.Levamos menos coisas na mala, deixamos mais espaço na agenda,…

Métricas de UX que
Métricas de UX que

Muitas organizações dispõem de painéis repletos de números sobre visitas, cliques, conversões,…

Marketing em torno do
Marketing em torno do

O verão está cheio de momentos partilhados: viagens, festivais, competições desportivas, esplanadas…

O que agosto pode ensinar a uma marca sobre simplicidade

O que agosto pode ensinar a uma marca sobre simplicidade

No verão, tendemos a reduzir.

Levamos menos coisas na mala, deixamos mais espaço na agenda, simplificamos rotinas e adiamos alguns compromissos. Não porque tudo o resto tenha deixado de importar, mas porque precisamos de distinguir o que é realmente necessário.

Esse exercício também pode aplicar-se a uma marca.

Com o tempo, muitas organizações acumulam mensagens, canais, funcionalidades, campanhas e processos. Cada elemento pode ter feito sentido quando surgiu, mas a soma acaba por criar experiências difíceis de compreender e manter.

Simplificar obriga a rever o que foi sendo acrescentado e a perguntar o que continua a acrescentar valor. Não se trata de eliminar por eliminar, mas de reconhecer que elementos ajudam a expressar melhor a proposta da marca e quais competem com ela.

Por vezes, a clareza não exige uma nova campanha, uma nova funcionalidade ou um novo canal. Exige decidir o que pode ficar de fora.

O que manteríamos numa marca se tivéssemos de a reduzir àquilo que realmente importa?

As organizações tendem a acrescentar

Quando uma empresa deteta um problema, a resposta mais habitual tende a ser acrescentar algo.

Uma nova funcionalidade para responder a uma necessidade, outra mensagem para explicar melhor a proposta, um canal adicional para chegar a mais pessoas, uma etapa de controlo para evitar erros ou uma campanha para reforçar uma prioridade.

Cada adição pode parecer razoável por si só. O problema surge quando ninguém revê o efeito acumulado.

Com o tempo, os produtos enchem-se de opções, os sites de percursos alternativos, os processos de exceções e a comunicação de mensagens que competem entre si. O que nasceu como uma solução acaba por aumentar a complexidade.

Acrescentar tende a ser mais fácil do que eliminar. Introduzir um elemento permite responder a um pedido concreto sem questionar o que já existe. Retirar, pelo contrário, obriga a decidir o que deixou de ser prioritário, o que pode desaparecer e que consequências estamos dispostos a assumir.

Por isso, simplificar exige mais critério do que acumular.

Não se trata de rejeitar qualquer novidade, mas de compreender que cada novo elemento deveria justificar não só a sua utilidade individual, mas também o esforço que acrescenta ao conjunto.

Riqueza não é o mesmo que complexidade

Uma experiência completa não tem de ser uma experiência complicada.

Uma marca pode oferecer variedade, profundidade e diferentes possibilidades sem obrigar o utilizador a enfrentar demasiadas decisões ao mesmo tempo. A chave está na forma como organiza, apresenta e prioriza cada elemento.

A riqueza acrescenta valor quando amplia as opções de forma compreensível. A complexidade surge quando essa abundância dificulta encontrar o que é importante, perceber o que fazer ou avançar com segurança.

Um produto pode ter muitas funcionalidades e continuar a ser claro se mostrar cada uma no momento adequado. Um site pode conter muita informação sem ser confuso se estabelecer uma hierarquia visível. Uma marca pode comunicar ideias diferentes sem as pôr a competir entre si.

O problema não é ter muito para oferecer, mas exigir demasiado esforço para o compreender.

Quando uma pessoa tem de interpretar demasiadas mensagens, comparar demasiadas alternativas ou percorrer demasiados caminhos antes de encontrar aquilo de que precisa, a abundância deixa de enriquecer a experiência e começa a desgastá-la.

Simplificar não significa reduzir todas as possibilidades, mas evitar que surjam ao mesmo tempo e com a mesma importância.

Quantas coisas uma marca tenta dizer ao mesmo tempo

Muitas marcas não têm um problema de falta de mensagens, mas de acumulação.

Com o tempo, incorporam novas propostas de valor, atributos, slogans, benefícios e chamadas à ação. Cada elemento procura responder a uma necessidade diferente, mas todos acabam por surgir ao mesmo nível.

Quando tudo parece importante, torna-se difícil reconhecer o que é realmente essencial.

Um site pode pedir ao utilizador que compre, se registe, descubra a história da empresa, consulte um serviço, descarregue um recurso e siga as redes sociais, tudo no mesmo espaço. A marca diz muito, mas não deixa claro o que deveria ser compreendido primeiro nem que ação merece prioridade.

Simplificar a comunicação não significa empobrecê-la. Significa estabelecer uma hierarquia.

Uma ideia principal que possa ser reconhecida rapidamente. Uma promessa compreensível que explique que valor a marca oferece. E uma ação clara que permita perceber qual é o passo seguinte.

As restantes mensagens podem continuar a existir, mas não precisam de competir pela atenção ao mesmo tempo.

Quando uma marca decide o que quer dizer primeiro, não perde riqueza. Ganha clareza.

Mais opções nem sempre melhoram a experiência

Oferecer mais opções pode parecer uma forma de dar liberdade.

Mais produtos, mais planos, mais configurações ou mais percursos permitem adaptar-se a necessidades diferentes. No entanto, quando as alternativas aumentam sem uma estrutura clara, também crescem o esforço, as dúvidas e a possibilidade de desistência.

Isto pode acontecer num catálogo demasiado amplo, num menu difícil de percorrer, num formulário cheio de decisões, numa tabela de preços com diferenças pouco compreensíveis ou num processo de compra com demasiadas etapas.

O problema não é a variedade, mas obrigar a pessoa a analisar tudo para saber o que lhe convém.

Uma boa experiência não apresenta todas as possibilidades imagináveis com a mesma importância. Ajuda a comparar, agrupa opções, assinala diferenças relevantes e facilita uma escolha segura.

Em alguns casos, simplificar pode significar reduzir alternativas. Noutros, bastará organizá-las melhor ou mostrar apenas as que fazem sentido em cada momento.

O objetivo não deveria ser demonstrar tudo o que uma marca pode oferecer, mas ajudar cada pessoa a encontrar a opção de que realmente precisa.

O que permanece apenas por hábito

Nem tudo o que faz parte de uma marca continua a ser útil.

Algumas secções permanecem num site embora quase ninguém as consulte. Certos processos repetem-se em duplicado, alguns canais continuam abertos sem atividade e determinadas funcionalidades quase não são utilizadas. Também sobrevivem mensagens herdadas e etapas cuja finalidade já ninguém sabe explicar claramente.

Estes elementos raramente surgem de uma só vez. Acumulam-se com o tempo e permanecem porque sempre estiveram ali, porque eliminá-los exige rever decisões anteriores ou porque ninguém assumiu a responsabilidade de os questionar.

No entanto, cada elemento que continua ativo consome algo: atenção, tempo, manutenção, recursos ou espaço dentro da experiência.

Rever uma marca também implica observar aquilo que se mantém por hábito e perguntar se ainda cumpre uma função concreta. Não basta que algo não cause um problema evidente. Também deveria justificar porque merece continuar a existir.

Uma pergunta simples pode ajudar a detetar essa complexidade acumulada:

Alguém sentiria falta deste elemento se desaparecesse?

Quando a resposta não é clara, talvez tenha chegado o momento de o eliminar, integrá-lo noutra parte ou repensar a sua função.

Conclusão

A simplicidade não surge de forma automática.

É o resultado de rever, priorizar e tomar decisões que, muitas vezes, são incómodas. Decidir o que merece permanecer também implica aceitar que alguns elementos devem perder protagonismo, integrar-se noutra parte ou desaparecer.

Uma marca nem sempre precisa de uma nova funcionalidade, de outra campanha ou de um canal adicional. Por vezes, precisa de parar e observar quanto daquilo que acumulou continua a acrescentar valor.

Simplificar exige critério porque obriga a distinguir entre o essencial e o acessório. Também requer renunciar a elementos que podem parecer úteis por si só, mas que competem com aquilo que a marca precisa de expressar com maior clareza.

O objetivo não é reduzir por reduzir. É construir uma experiência mais compreensível, uma comunicação mais focada e uma relação mais simples com as pessoas.

Por isso, simplificar também é uma forma de decidir o que ocupa o centro e o que pode dar espaço.

Agora que agosto termina e muitas organizações se preparam para retomar o ritmo habitual de setembro, talvez seja um bom momento para não regressar automaticamente a tudo o que fazíamos antes, mas para escolher com mais clareza o que merece acompanhar-nos na nova etapa.

O que poderia a sua marca eliminar sem que os seus clientes perdessem algo realmente valioso?

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Simplificar não consiste em oferecer menos por princípio. Consiste em deixar espaço para que aquilo que realmente importa possa ser visto melhor.

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