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Inovar é bom. Manter
Inovar é bom. Manter

A inovação gera manchetes. As empresas anunciam novas plataformas digitais, investimentos em…

Conceber a dúvida
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O WordPress não é uma
O WordPress não é uma

Imaginemos três projetos web que utilizam WordPress.O primeiro é um site institucional construído…

Inovar é bom. Manter também.

Inovar é bom. Manter também.

A inovação gera manchetes. As empresas anunciam novas plataformas digitais, investimentos em inteligência artificial ou projetos de transformação tecnológica. São iniciativas que despertam interesse, projetam modernidade e permitem mostrar progressos.

A manutenção, por outro lado, raramente recebe a mesma atenção. Poucas organizações comunicam que investiram na atualização dos seus servidores, na redução da dívida técnica, no reforço da segurança ou na melhoria da fiabilidade dos seus sistemas.

No entanto, estas ações também geram valor, embora os seus resultados sejam menos visíveis.

No contexto digital, damos por garantido que as aplicações funcionam, que os serviços estão disponíveis e que os nossos dados permanecem protegidos. Só quando algo falha costumamos prestar atenção às infraestruturas que tornam tudo isso possível.

Talvez devêssemos rever a nossa forma de entender o progresso. Porque o associamos mais àquilo que acrescentamos do que àquilo que conseguimos conservar, melhorar e tornar mais eficiente?

Porque nem tudo o que gera valor precisa de se transformar numa novidade.

As infraestruturas digitais também envelhecem

Ainda que nem sempre seja evidente, as infraestruturas digitais também envelhecem. Um servidor pode continuar a funcionar com configurações desatualizadas, uma aplicação pode depender de bibliotecas que já não recebem atualizações e um sítio Web pode continuar operacional numa versão do seu gestor de conteúdos que deixou de ter suporte.

O mesmo acontece com as bases de dados que crescem sem uma estratégia de otimização, os sistemas cujo funcionamento só uma pessoa conhece ou as cópias de segurança que são realizadas periodicamente, mas cuja recuperação nunca foi testada.

São situações que podem passar despercebidas enquanto tudo parece funcionar bem.

No desenvolvimento de software, falamos de dívida técnica para nos referirmos ao custo futuro gerado por determinadas decisões, soluções provisórias ou tarefas de melhoria que vão sendo adiadas. Tal como acontece com uma dívida financeira, nem sempre representa um problema imediato, mas pode acumular-se e dificultar a evolução dos sistemas.

Importa, porém, distinguir entre antiguidade e obsolescência. Uma tecnologia não é necessariamente insegura ou ineficiente por estar em funcionamento há muitos anos. A sua fiabilidade também depende da manutenção que recebeu, da disponibilidade de suporte, da sua arquitetura e da sua capacidade de responder às necessidades atuais.

De facto, manter corretamente uma infraestrutura pode implicar atualizá-la, modernizá-la ou até substituir alguns dos seus componentes.

O facto de um sistema continuar a funcionar não significa que não necessite de atenção. E esperar que deixe de funcionar para agir pode transformar uma tarefa de manutenção planeada numa intervenção urgente, mais complexa e dispendiosa.

O custo de manter face ao custo de não manter

Quando uma empresa decide investir numa nova tecnologia, costuma avaliar os seus potenciais benefícios: maior produtividade, redução de custos, novas oportunidades de negócio ou uma melhor experiência para os seus clientes. No entanto, justificar um investimento destinado a prevenir problemas pode ser mais complicado.

Como se calcula o valor de uma ocorrência que nunca chega a acontecer?

Este é um dos grandes desafios da manutenção preventiva. Quando os sistemas funcionam corretamente, o esforço necessário para os manter operacionais quase não é percecionado. Em contrapartida, quando ocorre uma interrupção significativa, as suas consequências podem tornar-se evidentes rapidamente.

Uma falha do serviço pode paralisar operações, afetar a produtividade, comprometer a segurança da informação ou gerar custos de recuperação inesperados. A isto acresce um impacto menos imediato, mas igualmente relevante: a perda de confiança de clientes e utilizadores.

Isto não significa que qualquer investimento preventivo seja justificado, nem que a manutenção seja sempre mais económica do que reparar ou substituir. As decisões devem considerar o risco, a criticidade de cada sistema e os recursos disponíveis.

O importante é incorporar estes fatores no planeamento financeiro e não limitar a análise ao custo inicial de aquisição ou desenvolvimento.

Porque o custo de uma infraestrutura digital não termina quando entra em funcionamento. O seu verdadeiro custo inclui todo o seu ciclo de vida: operação, manutenção, atualizações, segurança e, no momento certo, renovação ou substituição.

Inovação e manutenção: duas responsabilidades que deveriam avançar juntas

Inovar e manter não deveriam ser entendidos como prioridades em conflito. De facto, quanto mais avançamos tecnologicamente, maior é a necessidade de garantir que as soluções que adotamos possam continuar a funcionar de forma segura, eficiente e fiável.

Uma nova plataforma digital necessita de atualizações e suporte. Uma infraestrutura na nuvem requer monitorização e uma gestão adequada dos seus recursos. Até as soluções baseadas em inteligência artificial necessitam de supervisão, avaliações periódicas e mecanismos para detetar erros ou alterações no seu comportamento.

A inovação, por isso, também gera novas responsabilidades.

Um exemplo interessante é a abordagem Site Reliability Engineering (SRE), desenvolvida pela Google, que procura equilibrar a evolução dos serviços digitais com a sua fiabilidade. Através de práticas como os error budgets, as equipas podem tomar decisões sobre quando introduzir novas funcionalidades e quando dar prioridade à estabilidade dos sistemas.

Esta abordagem recorda-nos que a transformação digital não deveria ser medida apenas pela quantidade de tecnologias que adotamos, mas também pela nossa capacidade de as gerir ao longo do tempo.

A inovação não termina quando lançamos algo novo. Prossegue durante toda a sua vida útil.

Manter, atualizar e melhorar aquilo que já construímos também faz parte de inovar. E reconhecê-lo é fundamental para desenvolver uma estratégia tecnológica verdadeiramente sustentável.

A manutenção também precisa de uma estratégia

Se aceitarmos que a manutenção faz parte da inovação, também deveríamos integrá-la no planeamento tecnológico das organizações. Não como uma atividade secundária dependente do orçamento disponível, mas como uma responsabilidade permanente.

Isto implica prever recursos, estabelecer políticas de atualização, monitorizar o estado dos sistemas e gerir o ciclo de vida das tecnologias, desde a sua implementação até à sua eventual substituição. Implica também antecipar necessidades e avaliar riscos antes de se transformarem em problemas.

Mas esta responsabilidade não deveria recair exclusivamente sobre os departamentos de tecnologia. Embora as equipas técnicas conheçam as necessidades das infraestruturas, as decisões sobre investimento, prioridades e continuidade operacional também cabem à direção das organizações.

A manutenção não é apenas uma questão técnica. É também uma decisão estratégica que afeta a continuidade do negócio.

Uma organização pode dispor de um ambicioso roteiro de transformação digital, mas, se não considerar como sustentar as soluções que adota, corre o risco de acumular complexidade, custos e dependências difíceis de gerir.

Por isso, talvez devêssemos colocar uma questão antes de iniciar qualquer novo projeto tecnológico: faz sentido desenvolver uma estratégia de transformação digital sem definir como vamos manter as tecnologias que adotamos?

Conclusão

Vivemos numa sociedade que celebra a novidade. Entusiasma-nos descobrir novas tecnologias, desenvolver soluções e explorar possibilidades que, até há pouco tempo, pareciam impensáveis. E é positivo que assim seja, porque a inovação é um dos motores do progresso.

Mas talvez devêssemos aprender a valorizar também aquilo que não gera manchetes: o trabalho de quem mantém os sistemas operacionais, previne incidentes, atualiza aplicações, documenta processos e garante que as infraestruturas continuam a responder às nossas necessidades.

São tarefas que raramente recebem o mesmo reconhecimento que um novo lançamento, mas que são essenciais para sustentar os progressos alcançados.

O verdadeiro progresso não consiste apenas em construir o futuro, mas também em cuidar daquilo que torna possível o nosso presente.

Inovar continuará a ser necessário. Manter também. A questão não é escolher entre ambas as responsabilidades, mas encontrar o equilíbrio que permita avançar sem descurar aquilo que já construímos.

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E talvez seja o momento de nos perguntarmos: estamos a investir o suficiente na manutenção do que já temos ou continuamos à espera que algo falhe para lhe dar a importância que merece?

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